segunda-feira, junho 15, 2009

Um lugar na Terra



Li há pouco tempo uma das várias obras de Susanna Tamaro, Responde-me. Uma vez que já conhecia a escritora e outras obras suas, achei o título bastante sugestivo, talvez porque tenho 17 anos e ainda estou na altura dos “porquês” , esperando sempre uma boa resposta para tudo. Muitas vezes os títulos enganam-nos redondamente e no final a desilusão estampada no nosso rosto é evidente, notando-se que o livro ficou muito aquém das nossas expectativas. No entanto, posso dizer que este não foi o caso, aliás, muito pelo contrário, fui totalmente surpreendida. Tendo em conta a fase crítica da adolescência esta leitura veio na hora exacta, no momento mais oportuno de todos. As três histórias têm um elo muito forte que as ligam de uma forma quase fatal. A educação, o ambiente em que crescemos, a família e a época são factores que condicionam totalmente aquilo que nós somos.
Cheguei à última página, fechei o livro, olhei a capa e perguntei, “Quem podemos culpar pelo destino destas pessoas?”. Reflecti durante algum tempo e não cheguei a conclusões. Que culpa podemos atribuir a uma pessoa pela família que tem, pelo meio onde cresce a cada dia e pelos ideais que lhe impingem desde o momento em que nasce? Que posso eu fazer para fugir aquilo que, à partida, me está destinado mesmo antes de nascer? Dizem que todos nascemos livres com os mesmos direitos e com dignidade, mas eu não concordo. Se logo à partida eu não escolho onde nasço e de quem nasço eu já não sou livre. Mas no meio de todo este palavreado bonito que nos ensinam é também verdade que podemos não escolher o nosso passado e aquilo que nos acontece, mas somos sempre responsáveis de alguma forma pela construção do nosso futuro. Sim digo de alguma forma, porque aprendi que muitas vezes é impossível fugir. Se eu nascer e crescer rodeada de pobreza e miséria a probabilidade de acabar enterrada nela é muito grande. Se eu crescer vítima de maus tratos físicos e psicológicos, afastada de qualquer tipo de amor eu nunca poderei construir um lar. Porque se eu não sei o que é o amor, é como se não existisse, e se não existe não se pode dar.
Acima de tudo, somos o reflexo daquilo em que os outros nos tornaram, naquilo que nos ensinaram a ser. Tudo bem que temos um carácter e uma personalidade que de uma forma positiva ou negativa encara aquilo que o exterior nos dá a conhecer, mas a maior parte das vezes estes são sufocado por outros factores que se sobrepõem e quando o meio exterior é demasiado negativo tudo o que há de bom em ti parece que se desvanece e raramente consegue vencer. Aprendi que não é preciso morrer para estar no céu ou no inferno. A Terra dá-nos a provar estas duas realidades de uma forma bastante convincente. E a questão surge outra vez, “Como se pode sair do inferno, se não se souber sequer que existe algo para lá deste?” Não se sai, pura e simplesmente não se sai. No entanto quando se sabe que há muito mais, não entendo porque se fica estagnado, porque não se age. Admiro quem contraria o seu destino fatal e agarra todas as pedras do caminho para edificar o seu enorme castelo, no entanto não julgo quem fica soterrado no meio de tanto calhau.

3 Comments:

Blogger Clarisse said...

Este comentário foi removido pelo autor.

12:22 da manhã  
Blogger Clarisse said...

Pelos vistos ninguem comentou, parece que vou ter mesmo de comentar...ah ah ah

Bem, desde o momento em que li este texto tive uma única opinião "está fenomenal!" e ainda continuo a achar...
Foi um bom texto de regresso após o teu último post, acho que, basicamente, este texto dá a entender o porquê da tua ausência.

Mas lembra-te “É do sofrimento que surgem as personalidades mais notáveis. Os carácteres fortes estão cheios de cicatrizes.” E tu és uma pessoa cheia de carácter e que tem muita força dentro de si! Eu sei disso, só tu é que não sabes e enquanto não souberes essa força que tu tens nunca poderás usar! E se bem me recordo alguém disse-me que não era godo, mas sim fote.

bjs
Clarisse

12:23 da manhã  
Blogger Ana said...

Olá

Que belo texto...Também gosto bastante dos livros dessa autora e li-os quando tinha a tua idade... se bem que de vez em quando gosto de os voltar a ler.

Beijinho grande e tudo de bom!

8:25 da tarde  

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